TRÍADE
DO MITO
(Yara Nazaré-BSB/DF)
I - DA TRADIÇÃO
(Yara Nazaré-BSB/DF)
Recolhidos
da tradição
Eram os mitos transmitidos
De forma poética e cantada
Por cantores ambulantes
Encantando a todos os passantes.
Descrevendo
na sua função
A Ilíada e a Odisséia
Muito dos ritos contaram
Da cultura transmitindo valores
Dos rituais antepassados.
Na
dependência dos deuses
Estava o herói festejado
E assim sendo o escolhido
Tinha o destino traçado.
Mas
de repente ele acorda
Diante das invenções
e foi na ágora da pólis
que surgiu a discussão.
Do
mítico surge o que pensa
Diante do que é natural
Nas contradições refletindo
Com a sua nova idade mental.
II - A NOITE
(Yara Nazaré-BSB/DF)
Já
relata a lenda
Que a noite é lenta...
Sujeita às tentações
Antes de tudo era tão claro
Mas veio a escuridão.
A
desobediência aos deuses
Moveu dois índios guerreiros
Dos ruídos sonoros ouvidos
Do interior de um coco caído.
Por
não resistir à tentação
Abriram o fruto com sofreguidão
Contrariando as meditações
Deixando assim escapulir
Da noite no coco escondida,
A escuridão.
No
lugar do "ainda-não"
Alguém surgiu devagar
Para o castigo amenizar...
Era a deusa Aurora, complascente
Concedendo a glória do clariar.
E
em harmonia medida
O dia que vem da noite
Agora tem sentido
E faz a esperança durar!
III - A CHAMA
(Yara Nazaré-BSB/DF)
De
tal forma primária
O mito constrói o real
É o ser recorrendo aos deuses
e à força do sobrenatural.
Aceitando modelos exemplares
Na ânsia da aflição
exorcizar.
Como
o fogo a nos aquecer
Embora dos deuses roubado
Devemos a vitória ao deus Prometeu
Que veio de um campo sagrado
Trazendo a tocha fecundada
Na era do renascer apagado.
E
o homem repete o rito
Imita dos deuses o gesto
No sentido reversível
É a festa religiosa, da chama
eterna.
Nascida
da ocasião
Em que o sagrado acontece
No princípio da chama da união
O todo do universo se aquece.
