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Esta, é uma homenagem a escritora Rosimeire Leal da Motta, cujo Currículo traduz o seu amor pela literatura além de ser muito interessada na pesquisa e análise da história e da arqueologia e se revela fraterna, amorosa, atenciosa e grande incentivadora, cativando a todos. Leia abaixo, a biografia e algumas poesias de Rosimeire.
Com carinho.
Yara Nazaré




Rosimeire Leal da Motta, nasceu e reside no município de Vila Velha/ES, em 16 de abril de 1969. É professora e Técnica em Contabilidade.
É criativa e tem sempre muitas idéias. Gosta de pesquisar, descobrir e analisar. Além da literatura aprecia a História e a Arqueologia. Deus está em primeiro lugar na sua vida. Sente uma paixão especial pelo idioma espanhol, museus de arqueologia e exposição de quadros. Os traços marcantes da sua personalidade são a timidez e o romantismo.
Começou a escrever aos 15 anos, seguindo o exemplo da sua mãe. Outra influência foi a leitura, pois por ser tímida, passou a maior parte da sua adolescência lendo.
Desenvolve o estilo Simbolismo, onde a vida interior é revelada por meio de símbolos. Existe a postura romântica, centralizada no "eu", explorando as camadas mais profundas do subconsciente e inconsciente... interioridade... poesias endereçadas à emoção... romantismo... idéias envoltas em sombra, em névoa... A Inspiração não tem hora para chegar; quando está triste os textos brotam com maior facilidade, mas a encanta olhar uma foto, imagem ou desenho fixamente, analisando o que vê, o que está lhe transmitindo e os sentimentos ocultos.

* LIVROS PUBLICADOS:
01 - "Voz da Alma" - Editora CBJE - RJ - Novembro/ 2005 - Poesia e Prosa.
02- - "Eu Poético" - Editora CBJE - RJ - Setembro/ 2007 - Poesia e Prosa.
* OUTRAS PUBLICAÇÕES: Participou de dezoito Antologias de Poesias, quatro de Contos e cinco de Crônicas.

Visite a página pessoal de Rosimeire:
http://br.geocities.com/rosimeire_lm/



NO PEITO UMA CAVERNA
(Rosimeire Leal da Motta)

A estrutura do meu ser é uma rocha.

O meu interior foi dissolvido pela água da chuva,

ocorrendo uma série de processos geológicos:

uma combinação de transformações

químicas, tectônicas, biológicas e atmosféricas...

Formando uma cavidade rochosa no meu peito!

Ao redor: paisagem cerrada, relevo acidentado,

alta permeabilidade do solo,

permitindo a absorção rápida das decepções!

Minha alma especializou-se em viver

em ambientes escuros e sem vegetação nativa...

O meu “eu” está refugiado numa caverna.

Esconderijo seguro contra os animais selvagens da vida!

Lágrimas desenharam no chão, desenhos,

arte rupestre dos desenganos!

Evidências arqueológicas mostraram,

que eu sou da idade da pedra,

com uma mente fechada para as mudanças!

Perdi-me no tempo,

coloquei uma barreira na entrada do meu coração...

Escondi-me de mim mesma,

fechei as portas para o sol da manhã!

Isolada, morria aos poucos... e não sabia...



TIMIDEZ
(Rosimeire Leal da Motta)

Tentei exprimir meus sentimentos

com declarações vindas do coração.

Mas, a vergonha apertou o meu pescoço,

os sons a ser articulados engasgaram na goela.

Minhas idéias fundamentais da vida

não puderam ser transmitidas.

A insegurança me obrigou a renunciar

meu desejo de ser feliz.

Ensaiei falar claramente o que sentia,

no entanto, perdi o ar, quase provocando asfixia.

Ao longe, a existência acenou para mim,

porém, a timidez não me permitiu responder.

Presa por nenhuma corrente,

contudo, impossibilitada de caminhar.

Minhas palavras foram enforcadas,

morreram antes que eu pudesse expressar

a pessoa que eu sou.

Por fim, meus lábios se abriram,

mas, emitiram vocábulos ao vento.

E o ar atmosférico em movimento natural,

causaram erosão nos meus ânimos,

remodelando friamente,

a paisagem do meu eu.

ESCULPINDO UMA POESIA
(Rosimeire Leal da Motta)

Dois artistas se uniram

para criar uma obra de arte.

Utilizaram materiais perenes e duráveis.

Inspiraram-se na ternura mais profunda

que sentiam um pelo outro!

Escreveram uma história de amor

e a perpetuaram com os seus sangues!

Linguagem humana retratando

um momento vivido a dois...

Expressão de um sentimento especial!

A matéria-prima dos poetas é

a paixão que os tornam um!

Poder criativo delineando uma arte poética,

despertando a sensibilidade do belo.

Um ser inicia seu processo de crescimento:

desenvolvimento do feto gerado no útero.

Após nove meses, o conjunto de obras em verso,

tomou forma, abriu os olhos e chorou de emoção!

Era uma poesia viva,

esculpida em relevo total.

Lirismo em toda sua extensão!

Fruto da união de um homem e de uma mulher

que se amaram e eternizaram este afeto.

Um filho: visão emocional do estado da alma.

Porém, ali há também,

a assinatura de Deus...

CANTIGA DE NINAR
(Rosimeire Leal da Motta)

(Obs.: Poesia escrita logo após a morte do meu pai,
Pedro Sabino da Mota – 1912/2007)

Era final da primavera, novembro...

Um pássaro incomum, com o olhar melancólico,

pousou no batente da janela do seu quarto.

Pôs-se a cantar uma canção eterna,

dividida em estrofes e terminada por um estribilho.

O som era melodioso, porém, fúnebre!

Melodia com trechos literários,

cantando o fim da vida!

Era uma cantiga de ninar,

que o fez adormecer suavemente...

O tema poético enfatizava o criador,

anjos anunciavam que há um lugar

onde todos dormem profundamente!

Ele permaneceu num sono sem respiração,

com o corpo em estado de relaxamento...

Perdeu a noção do existir, expirou,

sendo transportado para as asas da ave.

Esta agora, emudecida,

voou, sumindo de vista,

levando silenciosamente,

um personagem que era parte de mim...

Meu pai, quantas saudades!

MENORES ABANDONADOS
(Rosimeire Leal da Motta)

O aroma da flor,

nem sempre é agradável ao olfato:

seu pólen pode causar alergia respiratória,

tornar-se grudento...

É aquele ser plantado num canto da rua,

afastado da convivência afetuosa!

Submeteu-se ao processo de desidratação:

evaporou-se sua esperança de ser feliz!

Debaixo do sol intenso do desprezo,

perdeu a água que nutria seus ideais.

Menores abandonados no caminho da exclusão,

cheiram a injustiça!

A imundície das suas roupas,

reflete a podridão do lado social:

fingem que ajudam,

empurram a sujeira para debaixo do tapete.

É impossível para a chuva que cai,

limpar as amarguras do coração-criança:

formam lama ao seu redor,

afunda cada vez mais...

Desfolharam suas pétalas secas,

resultado: mal-me-quer!

INTÉRPRETE DO CORAÇÃO
Rosimeire Leal da Motta

Combinação harmoniosa e expressiva de sons.

Melodia agradável aos ouvidos.

A platéia acompanha hipnotizada,

a fragrância da música que lhe desperta os sentidos.

Espalham-se na atmosfera acordes suaves e envolventes!

Emanação aromática que faz bailar em pensamentos.

Dominação perfeita das notas musicais!

O vento desarrolhou o frasco do salão.

O perfume instrumental atravessou fronteiras.

Aplausos soaram no palco fortemente,

quando o violino chorou emocionado

ao revelar os sentimentos daquele que o tocava.


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Yara Nazaré