HAIKU, traduzido
para o português, como HAICAI é a forma de
poesia mais tradicional da cultura japonesa. Muito mais
que a métrica pré-estabelecida e a ausência
de título e rimas, é a postura quase zen budista
diante da natureza a essência do haicai. O chamado
kigô, elemento que faz menção a uma
das estações do ano, é uma das peças
chave para a compreensão do poema e revela toda a
transitoriedade expressa por ele. Não é à
toa que é comparado a uma fotografia do momento,
pintando imagens com palavras. O grande mestre desta arte
é Matsuo Bashô (1644-1694). Ex-samurai, monge
praticante do Zen e estudioso das escritas clássicas
chinesas e japonesas, dedicou sua vida a seu aperfeiçoamento
espiritual e a escrita. Conta-se que anteriormente a Bashô
os hai kais eram poemas populares, ingênuos, como
piadas ou trocadilhos.Observações
da natureza, impessoalidade, rapidez, síntese e transcendência
deram um toque zen a esta forma de poesia.
Os praticantes desta arte buscam mais o universal que o
pessoal, deixando que as "imagens sugeridas" tenham
efeito sobre nossas mentes, solicitando a nossa reflexão
e participação. São imagens que misturam
ambientes e sensações, criando "cenas
vivas".
Chegou ao BRASIL
no início do século 20 e hoje conta com muitos
participantes e estudiosos brasileiros. Consiste em 17 sílabas
japonesas, divididas em três versos de 5, 7 e 5 sílabas.
Contém alguma referência à natureza
(diferente da natureza humana). Representa tal evento como
“acontecendo agora” e não no passado.
Refere-se a um evento particular (ou seja não é
uma generalização). Ao transplantar ou criar
o HAICAI no Brasil ou em outros países, algumas
das regras anteriores são seguidas com maior ou menor
fidelidade, dependendo de cada poeta ou da escola seguida.
Um exemplo
do poema haicaísta de Oldegar Vieira – 1941:
“Uma
borboleta!
O bastante para que
Se desfolhe a rosa.”