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Nesta página especial faço a minha homenagem a um casal de amigos muito queridos e que além da linda família que formam com muito amor, harmonia e alegria nos enriquecem no matrimônio poético, com seus lindos versos!

Yara Maria

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(Mapa do Ceará)

Um certo dia, ele saiu de Iguatu e rumou para Fortaleza, a capital cearense onde concluiu seus estudos graduando-se em Filosofia. Seguiu para Roma/Itália e lá, graduou-se em Teologia, na Universidade Gregoriana. Continuou seus estudos em Paris/França, onde na Sorbonne-Universidade de Paris, graduou-se em Economia e em Sociologia, no Instituto Católico. Na Universidade de Toulouse na França, graduou-se em Direito Internacional. Atuou como professor durante treze anos na Universidade do Vale dos Sinos, na Faculdade São Judas Tadeu e na Faculdade Porto-Alegrense, no Rio Grande do Sul. Mas seu destino o levaria de volta à Fortaleza onde alguém o aguardava para juntos iniciarem uma linda história de amor...


Em uma noite encantada, os dois se encontraram naquele salão iluminado, sorriram e com os olhos a brilhar de felicidade, ao som da orquestra que tocava a valsa preferida dos dois... e foi assim que tudo começou...

Ela, nascida em Fortaleza, capital do estado do Ceará, muito romântica e sonhadora, concluiu o seu curso de Ensino Médio e seguiu para o Rio de Janeiro onde fez o curso de manequim e atuou como modelo para revistas de moda. Mas logo retornou para sua terra natal onde encontrou seu príncipe e com ele realizou o seu sonho de casamento. E para completar a felicidade do casal, duas lindas princesinhas nasceram enriquecendo suas vidas, suas filhas, Érika Letícia e Cássia.

Como seu marido, ela gosta muito de ler e escrever e, segundo afirma, encontrou na poesia e no relacionamento com grandes amigos o que lhe faltava para completar o sentido da sua razão de viver.
Casados há vinte e oito anos, ao trilharem a estrada da vida disseminando companheirismo, alegria e amor tão presentes nos seus corações, muito têm construído mas não se esquecem de estender sua amizade, carinho e atenção aos amigos sem distinção!
Refiro-me ao casal de amigos,


RAQUEL CAMINHA MATOS
e BERNARDINO MATOS

A vocês queridos amigos, RAQUEL e BERNARDINO, a minha singela homenagem!
Com carinho.
Yara Maria

"Tu te tornas eternamente responsável por aquele que cativas. Cativar... é criar laços"! (Saint Exupéry)

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POESIAS DE:
RAQUEL CAMINHA MATOS

CORAÇÃO BANDIDO


(Raquel Caminha - 03/06/05)

Jamais imaginei que, quando
a janela eu abrisse,
alguma coisa em minha vida mudaria.
Apareceu você com um belo sorriso, com seus
cabelos grisalhos, e foi mais o que me
chamou atenção,
pois homem assim acelera
as batidas do meu coração.

Você foi o único a transformar meu sonho
em realidade, desejando meus desejos,
adivinhando o que almejo,
sentindo a mesma vontade da
realização do nosso primeiro beijo.

Eu sonho de todas as formas
saciar minha sede, desse beijo sentir,
matar meu desejo, para depois
voltar à realidade sem ter que fingir.

Sei que sonhos, ilusões não nos leva
a lugar algum, mas o que fazer se
o caminho do amor é carregado
de sonhos, fantasias e ilusões,
isso ninguém pode negar, pois
é desconhecido pelo coração.

Bateu várias vezes, tentei fugir.
Corri para todos os lados, medo senti.
Achei que tudo estava superado, que nada!
Mais uma vez meu coração foi enganado.

Aqui estou de janela e porta aberta,
fazer o que! Se esse coração é bandido!
Engana-me...trai... se achando o tal,
pois sabe que bate forte na hora precisa,
deixando-me de pernas bamba na hora fatal

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A MINHA SAUDADE

(Raquel Caminha)

Saudades...
São aqueles momentos
em nossa cama,
de um prazer total.
Ainda vejo os nossos lençóis
espalhados pelo chão, e
sinto o cheiro do amor
perfumando nosso quarto...

Sinto saudades...

Quando penso em nossos corpos
Juntos, suados de paixão,
numa total realização...

Sinto saudades.

Dos nosso encontros que me faz
recordar momentos íntimos,
trazendo-me a dor maior, e isso
faz com que...

Eu sinta saudades.

Saudades do amor que nos uniu,
e que eu faço questão
de traze-las dentro de mim.
São esses maravilhosos instantes
a razão porque ainda vive
meu coração.

Saudades...

São armazenadas
dentro de mim, e me fazem pensar
que lhe tenho por inteiro,
que um dia poderá voltar para mim,
e nunca mais eu vou sentir essa saudade
sem fim.

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SAUDADE
(Acróstico de Raquel para sua querida mãe)

(Raquel Caminha)


Lealdade, força, coragem e muita
Euforia, criou sete filhos.
Ternura sempre presente em todos momentos
Ílusão jamais, andava sempre nos trilhos
Com os pés no chão,com os olhos bem atentos
Impedir ,então, que tivéssemos um futuro incerto
Almejava, sobretudo, dá-nos plena condição

Cada gesto era a procura de um caminho aberto
Aprofundando, cada dia, seu amor e afeição.
Muito sofria quando nos sentia aflitos,
Infelizmente,as limitações eram intensas,
Numa luta insana para evitar atritos
Hoje uma saudade profunda me envolve
A dor aguda da falta de ternuras imensas.

Assim perdi cedo minha mãezinha,
Letícia Ferreira Caminha.
O retrato fiel de uma mulher verdadeira,
carregarei sempre essa saudade sem fim
e jamais esquecerei a vida inteira
o desvelo e os cuidados dedicados a mim.

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POESIAS DE:

BERNARDINO MATOS

SAUDADE, UMA TERNURA IMENSA.

(Bernardino Matos - 16/05/05)

O tempo é um espaçoso e imenso palco,
onde o show e a trajetória da vida acontece,
e através de um imenso e preciso placar,
registra cada detalhe e de nada esquece,
permitindo, até, que o ser humano possa,
com base no passado o futuro projetar.

Os registros de todos os fatos e acontecimentos
são salvos e guardados na memória de um arquivo,
onde vamos buscar lembranças e recordações,
sempre que necessário e por algum motivo,
desejamos que elas aflorem vivas e intensas,
quando alento e ternuras exigem nossos corações.

Esse trio: o tempo, os registros e as lembranças,
Dimensionam com precisão e com rigor a nossa idade,
E ao reunir cada detalhe de nossa história de vida,
Define o conceito e o conteúdo da saudade,
O tempo informa o quando; os registros detalham o como;
E o amor informa o que merece e queremos dar guarida.

“Dê tempo ao tempo”, é sempre uma decisão sábia,
“tenha calma, isso passa”, reflete uma conformação,
“vai dá certo, você vai ver”, é confiança e otimismo,
“meu Deus, quanta saudade”, é puro amor e afeição.
“eu era feliz e não sabia” é um sentimento de tristeza
não ter, porém, o que recordar, é o vazio total do egoísmo.

Embora alterne momentos de alegria e de tristeza,
A saudade retrata com fidelidade a nossa história,
as lembranças de entes queridos nos machucam,
mas o ter com eles vivido é uma glória,
Deus os colocou, sabiamente, em nosso caminho,
e, muitas vezes, dá-nos a impressão que nos escutam.

Se o semblante de minha mãe, em minha mente surge,
Um rosto suave, um olhar triste e um ar bem dolorido,
diante de um fogão a lenha, suando com dignidade
lavando, e passando roupas, de um modo bem sofrido,
rezando e pedindo a Deus proteção pra todos nós,
torna-se impossível dela não sentir saudade.

Se revejo meu pai com os olhos fixos no horizonte,
suplicando a Deus chuvas para irrigar o seu roçado,
ou escalando postes para do telégrafo restabelecer a ponte,
ou nas procissões pedindo aos céus uma oportunidade,
com as mãos feridas de um trabalho áspero e pesado,
torna-se impossível dele não sentir saudade

Se relembro o meu irmão mais velho à luz de uma lamparina,
estudando, para um concurso, durante toda a madrugada,
para tentar ajudar a família pobre e mudar sua triste sina,
lutar durante 30 anos e morrer sem conseguir prosperidade,
sem jamais perder a coragem, a esperança e o otimismo,
torna-se impossível dele não sentir saudade.

Se a luta para a sobrevivência foi dura e por demais árdua,
mas se a convivência no sertão me deu força e dignidade,
se o viver, lado a lado, com pessoas sofridas me deu coragem,
para enfrentar a vida sem medo, e com lealdade.
se todo o caminho percorrido foi importante e valeu a pena,
torna-se impossível dele não sentir saudade.

Se tive, nos momentos mais difíceis, amigos sinceros e leais,
que me estenderam a mão nos piores trechos da caminhada,
que foram importantes na conquista dos meus ideais,
e se ainda sinto falta de suas companhias e amizade,
e se gostaria de retomar, passo a passo, cada instante vivido,
torna-se impossível deles não sentir saudade.

Se o estudo em Paris, sem recursos, me trouxe pesadelo e dor,
se a formação de uma pequena república eliminou o medo,
se a contribuição de cada um numa caixinha trouxe destemor,
se unidos nos preparamos para o futuro com esperança e vontade,
se a recordação desses momentos sadios aperta-me o peito,
torna-se impossível deles não sentir saudade.

Se nos momentos de amargura e de profundas agruras,
Liso, atordoado, meio perdido, sem rumo e solitário,
e nos bares de Pigalle com uma stripper dividia ternuras,
e ela me transmitia paz, segurança, sem demonstrar piedade,
embora sem saber o seu destino, nem de sua vida o desfecho.
torna-se impossível dela não sentir saudade.

Se com minha esposa vivi momentos de paixão imensa,
de um amor profundo, para mim, o maior do mundo,
se hoje, caminhamos, lado a lado, com chama ainda intensa,
se foram todos os momentos vividos cercados de lealdade,
se os gestos nessa trilha só aumentam nossa felicidade,
torna-se impossível deles não sentir saudade.

Se consegui, na vida, todos os baques superar,
se ainda me sinto forte para continuar na lida,
se estou cercado de amigos dispostos a me apoiar,
se vivo sentimentos de confiança, amor, fé e caridade,
se felizes momentos vividos me envolvem por inteiro,
torna-se impossível deles não sentir saudade.



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DESISTIR, NUNCA!

(Bernardino Matos - 28/05/05)

 

As pernas inchadas tornam longo o meu percurso,
a vista cansada embaça a nitidez do meu horizonte,
uma renda minguada comprime o meu pobre discurso,
doente, na fila do SUS, me parece ver a morte defronte.

Ficaria feliz se visse minhas filhas bem vestidas,
para participarem dos convites das amigas para festas,
e jamais contemplá-las tristes, cabisbaixas e sentidas,
meu Deus, é duro ter que aparar da vida tantas arestas!

Gostaria de ter um padrão de vida mais digno,
mas não consigo, sem o perfil que exige o mercado ,
ver minha família aflita, sinto algo amargo e maligno,
me dói por dentro, me dilacero, de tão magoado.

Minha esposa, safenada, insegura, cheia de medo,
tomando calmante a cada reação desconhecida,
não vê-la feliz, em paz, me traz forte desassossego,
e às vezes sinto vontade,até, de abandonar a lida.

Ao saber que meu irmão de um câncer se opera,
e não posso procurar recursos mais avançados,
quanta vontade de tudo mudar, quem dera,
e não sentir meu coração, meus braços tão cansados!

Mas, de repente, ouço uma voz que me atinge a mente,
você é forte, inteligente, tem fé, para que tanta fraqueza,
segure com força as rédeas do seu destino e vá em frente,
você não está só, tem amigos, acredite neles, tenha certeza.

Lembre-se daquele paraplégico que você quis ajudar,
a colocar sua cadeira de rodas no banco de trás do seu carro,
não faça isso, disse ele, eu me aceitei assim, pode largar,
estou me formando em Direito, vou vencer ,eu nunca esbarro!

Mais tarde você o visitou em seu escritório de advocacia,
lutando,bravamente, para acabar com o desmando,
ele estava tranqüilo, seguro, realizado, sem demagogia,
era o dedo de Deus lhe dizendo , assuma o comando.

E aquele cego, seu aluno, que se formou em economia,
que era datilógrafo, escrevendo em braile, numa fábrica,
que ia de ônibus, alegre, sem reclamar, feliz, todo dia,
mude sua visão, alargue seu horizonte, troque de tática.


E aquela jovem que fazia toda semana hemodiálise,
e que você evitava fitar os calombos em seus braços,
que entregava todos os trabalhos com segura análise,
que nunca em seu semblante viu das dores os traços!

Você a encontrou, ativa, após o transplante de rins,
ela trabalha numa empresa como administradora,
isso indica, claramente, há mais coisas boas, que ruins.
some mais uma lição de Deus, em sua obra criadora.

E aquela jovem empresária que desmaiava em plena sala,
com um tumor no cérebro e com um ar sofrido de medo,
mas nunca desistiu de estudar, quando penso perco a fala,
e você a encontrou no carnaval, dançando um samba-enredo!

Ela se submeteu a uma cirurgia e era benigno o tumor,
estava feliz, dançando e pulando com seu namorado,
havia renascido e em seu semblante não havia traços de dor,
amava a vida, juntou forças, venceu de pé, num combate honrado.

E aquele professor, inteligente, culto, sempre descontraído,
que adquiriu um vírus que atingiu o sangue que o corpo irradia,
perdeu uma vista, teve três enfartos, e parece nada ter tido,
e ainda está lutando para se curar de uma leucemia!

Na sala de aula dá um show de conhecimento e maestria,
nos intervalos, na sala dos professores, faz todo mundo rir,
está sempre de bom humor, seu espírito alegre a todos contagia,
esse assumiu seu destino e sabe muito bem pra onde ir.

Esses exemplos dignificam o ser humano, é pura superação,
entregar-se diante de qualquer obstáculo é muita fraqueza,
é um ato de covardia, cujo vacilo nos deixa rente ao chão.
temos que ter fé, coragem, e encarar a vida com firmeza.

É por essa razão que a ciranda “vamos nos dar as mãos”,
tem um valor imenso, chega a ser incomensurável,
certamente, Deus assim pensou em sua criação,
que o ser humano de tão humano fosse adorável.
Se o sofrimento magoa e asfixia,
desistir de lutar é pura covardia.

 

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AMAR É TUDO, MAS É OSSO.

(Bernardino Matos - 08/5/05)

Se o amor é um não sei que,
que deixa a gente não sei como,
caminhar sem um bem - querer
é optar por viver,
no mais completo abandono.

Falar de amor é muito fácil,
se faz muita poesia,
ele é letra de canção,
e tema de samba-enredo,
mas se doar pra valer,
é coisa que mete medo.

Amar é assumir por inteiro,
sem tomar o espaço de alguém,
vem lá da alma, é profundo,
exige renúncia também,
é querer,sem tomar posse,
e andar livre pelo mundo.

O amor tem que ser total,
mas sem ocupar os espaços,
não tem lugar para o egoísmo,
pois isso enfraquece os laços,
e aprisionar alguém,
é colocar Deus no ostracismo.

Viver, porém, lado a lado,
seguir o mesmo roteiro,
acordar toda manhã,
e adorar da pele o cheiro,
sorrir sempre na amargura,
é como um vôo de acauã.

Enfrentar com alegria as agruras,
os altos e baixos da vida,
estender a mão na tristeza,
suportar o peso da lida,
e amar sempre ,cada dia,
torna-se até uma proeza.

Aceitar de alguém seus defeitos,
seus momentos de solidão,
mesmo quando se está presente,
isso não é fácil não.
Mas me diga se é possível,
viver sem o amor da gente.

Ouvir recriminações,
censuras, críticas amargas,
quando é exíguo o ganha-pão,
as decepções ficam largas,
e a vontade que se tem ,
é de se andar na contra-mão.

Esse é o caminho mais fácil,
é um ato de covardia,
é muita falta de coragem,
parar, sem ter ousadia,
pois o que parece terremoto,
não passa de simples aragem.

Ficar tranqüilo na dor,
substituir a aspereza por ternura,
seguir sempre com destemor,
não é ato de bravura,
é um sentimento mais forte,
por Deus, isto é o amor.

Quem não sofreu decepção,
não passou por desengano,
não enfrentou abandono,
viveu sem recordação,
não sabe o que é primavera,
e não dá valor ao outono.

Hoje é o dia das mães,
uma expressão do amor,
do carinho e da ternura,
mas um dia de muita dor ,
para os que estão nos asilos,
respirando do ar a amargura.

Uma coisa que me revolta,
pois é um gesto de baixeza,
colocar os pais nos asilos,
provoca a maior tristeza
mas Deus está lá em cima,
dizendo, isso tem volta, pupilos.

A luta para criar os filhos é árdua,
mais não ter deles o amor,
deixa uma profunda mágoa,
que logo desaparece,
quando na vida eles enfrentam,
qualquer momento de dor.

Se você não tem coragem,
de se doar sem dimensão,
de tornar eterno o passageiro ,
de sempre estender a mão,
amigo, isso é sinal, de que
amar não é mole não.

Já vivi muitos momentos,
de completo desespero,
já estive no fundo do poço,
e fui sempre salvo pelo amor,
que me cortou o destempero,
mas lhe confesso, amigo, é osso.

Estamos no último trecho,
de uma longa caminhada,
de nada me arrependo,
pois uma pessoa danada,
chamada Raquel Caminha,
me deu um amor estupendo

Nesse belo dia das mães,
eu sinto, às vezes, tristezas,
de não ter me doado mais,
de ter dito asperezas,
Raquel, porem fique certa,
O meu amor é demais.

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A TERRA MÃE DE TODOS E
POR DEUS ABENÇOADA.

(Bernardino Matos)

 

Conforme reza a sabedoria
da cultura popular,
para se retomar uma idéia,
cuja base foi abordada,
é importante que se inicie,
pelo fio da meada.
No caso de um tema nobre,
para uma mente iluminada,
como a importância
da terra,
Mãe de todos,
e por Deus abençoada.

Com um salário miserável,
que de tão insuficiente,
é denominado de mínimo,
para garantir o sustento
e um padrão de vida ínfimo,
o trabalhador necessita
de uma renda complementar,
e o fruto dessa empreitada
normalmente, vem
da terra,
Mãe de todos,
e por Deus abençoada.

Com oito filhos pra criar,
meu pai sempre utilizava,
uma moeda importante,
de grande circulação,
por “fiado” conhecida,
que no caderno do armazém,
numa conta controlada,
ele comprava a comida,
alimentos vindos
da terra,
Mãe de todos ,
e por Deus abençoada.

Para prover da família o sustento,
meu pai arrendava um roçado,
num contrato de meeiro,
que dava o direito ao dono
de receber da produção a metade,
fruto de um trabalho suado.
E no fim dessa jornada,
Fome a gente não passava,
o socorro vinha sempre
das entranhas ricas
da terra.
Mãe de todos ,
e por Deus abençoada.

A certeza do alimento,
vinha sempre do roçado,
que não nos deixava na mão,
produzindo o arroz e o milho,
a batata e o feijão,
e ainda vinha de quebra,
um punhado de algodão.
E a família prostrada,
rezava e agradecia,
as benesses vindas
da terra,
Mãe de todos,
e por Deus abençoada.

O arroz tem uma mania,
tipo ressaca de bêbado.
Precisa sorver muita água
e só cresce na banheira.
onde se desenvolve sem mágoa,
pois precisa estar grudado
no suor da natureza.
E ele só não desaba,
por causa do calor
da terra,
Mãe de todos
e por Deus abençoada.

Embora a vida sofrida,
a família lutava unida,
desde a plantação da semente,
até a colheita final,
pois recursos não existiam,
pra contratar pessoal.
O aprendizado , porem,
vinha de uma escola bem cotada,
do contato com
a terra,
Mãe de todos
e por Deus abençoada.

O feijão tem um papel,
de muito alcance social,
pois no ato da debulha,
os vizinhos reunia,
em torno de um lençol branco,
para preparar o bom bocado,
em troca da amizade
e da solidariedade,
própria do sertanejo,
que do amor é brotada.
E isso graças
à terra,
Mãe de todos
e por Deus abençoada.

Num tonel armazenado,
hermeticamente fechado,
para sem chance deixar
o gorgulho invocado,
o feijão era estocado,
para um amanhã incerto,
e uma sorte esperada.
graças ao amor
à terra,
Mãe de todos
e por Deus abençoada.

Para suprir o leite diário,
a compra de quatro vaquinhas
modificava o cenário.
E da caça aos passarinhos,
bem como à galinha d´água,
ou um marreco descuidado,
a alimentação era complementada,
graças à força
da terra,
Mãe de todos
e por Deus abençoada.

E, assim, em pleno sertão,
em meio à triste catinga,
entre os espinhos da jurema,
e uns bons goles de pinga,
o sertanejo envelhece,
sua vista esmaece,
e numa vida atrapalhada,
depois de longa caminhada,
ele agradece
à terra,
Mãe de todos
e por Deus abençoada.

E em lentos passos trôpegos,
sem nunca perder o rumo,
o sertanejo definha,
mas sempre sem amargura.
Na vida ele bate forte,
sem nunca perder a ternura.
E numa volta conformada,
depois de uma jornada
para as entranhas
da terra,
Mãe de todos
E por Deus abençoada.

Nos momentos mais difíceis,
essas lembranças confortam,
e tonificam a esperança,
de que os filhos assumam
seus destinos com firmeza,
e jamais seja trocada
pelos mitos da cidade,
a candura vinda
da terra,
Mãe de todos
e por Deus abençoada.

E vamos caminhando firmes,
para nossa última morada,
deixando para traz as ilusões,
as decepções e avaliações frustradas.
Pois do outro lado do mundo,
num ambiente de amor e paz,
numa vida celestial,
nossa angústia será trocada,
pela felicidade eterna,
graças ao amor
à terra,
Mãe de todos
e por Deus abençoada.

 

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II - Este Livro de Visitas é somente para
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