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Apresento, a "CIRANDA SOU POETA", considerando-me privilegiada, em poder reunir meus queridos amigos poetas, aos quais agradeço, pela brilhante participação e peço licença, para iniciar esta ciranda, com o presente maravilhoso da minha amiga, Jane Oliveira, uma linda poesia, de Florbela Espanca.

Com carinho.

YARA NAZARÉ

 

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"Não sou poeta, mas coloco, em homenagens aos poetas, Yara Maria, Marry, Marcial e a todos os poetas, uma poesia de uma pessoa não menos poeta, FLORBELA ESPANCA".

Jane Oliveira*

 

I - SER POETA


(Florbela Espanca)

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
é condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!


 

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II - E POETA SOU?

 

(Yara Nazaré-2003)

 

Se sou poeta?
Dizem que sou!
E podem me chamar de louca
Pois de tanta alegria,
Sou assim... demente
Quando olho para o firmamento
Vejo idéias no meu rumo a brilhar
Atrás delas sigo correndo...
E é claro que quando consigo
Tento cada uma alcançar
Se tomo a forma de poeta
Poeta então penso que sou
E ainda dizem também
Que uma artista sou!
Se sou... ainda não sei
Mas tranqüila vou seguir
Na minha grande vontade

De aprender para fazer
Seguir no meu caminho
Perseguir o meu destino
Espalhar muita alegria
Aqui e aonde eu for!

 

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III - POETA, DE VERDADE?

(Mariete Marcondes)

Sou mesmo atrevida, de bem com a vida,
vivendo sonhos, colhendo ilusões.
Sou poeta de verdade?
Nessa idade? Qual idade?
A da razão? Nem tenho ainda.
Da emoção? Sou pura sensação
De momento, lamento, saudade.
Rabisco palavras com meu coração,
Ora amor, ora solidão, ora tristeza e dor.
Sofro do grande mal dos poetas
Dos amores impossíveis, do trágico,
Das máscaras, do teatro desse vida.
Sou atriz, sou menina, sou fêmea mulher,
Sou malcriada, delicada, sou aquela
Que nem é donzela, mas a que gostaria de ser
A que um certo alguém procura, e não me vê.
Sou puro abandono, sou lágrima, sou mel
Sou carente, indecente, apaixonada,
Sou mesmo aquela nuvem perdida
A alma perdida e sofrida
Na imensidão desse meu solitário céu.

 

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IV - SER POETA

 

(Luísa Fernandes)

Sou poeta?

Eu? Nem pensar!

Gosto das palavras

Do seu doce ecoar.

Delicio-me com o sussurrar

De cada uma delas.

Juntas ou separadas

Elas fazem meu espírito

Se exaltar de doces e ternos

Sen…ti… men…tos…

Sentir, eis o que faço

Com as palavras,

Amigas e companheiras

De todo o sempre…

Desde o berço elas embalam

Meus sonhos, meus desejos… o Amor…

Doce melodia, o tilintar das consoantes

Brincando com vogais…

Grita: “Ai” e logo tens um som

Que ressoa, por magia, no ouvido.

Pode ser meloso ou belicoso

Depende de quem o dá.

Jogo, arrisco, rabisco palavras sem nexo

E logo dali sai um texto

A pretexto de uma ideia,

De um delírio só meu…

De um martírio inventado

Ou vivido que só eu sei!

Vãs, as palavras empregues

Neste discurso vazio…

Mas que consolo e paz

Dão à alma que as aqui pôs…

Adoro as palavras porque amo a Vida…

Que seria de mim sem elas?

Mesmo quando magoam é delas que vivo…

Ser poeta???

Disso não tenho certeza…

Vivo e a Vida é feita delas…

19/4/04

 

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V - POETA

(Vanessa Maria da Silva Graça)

20/4/04

Poeta é o que eu sou

Segui a carreira do meu avô.

Porque será?

A resposta é simples…

Porque viajamos num Mundo mágico

Sem guerras,

Sem pobreza,

Nem ódio…

Um Mundo em que todos são amigos

E não há discussões…

Como poeta, gosto de sonhar,

Imaginar,

Brincar com as palavras

Pintá-las de mil cores

Tão variadas como as do arco-íris.

Atiro os sons para o ar

Como bolas de sabão

Que rebentam no bico do lápis

E se fixam no papel.

Sou poeta, sou

Tal como o meu avô.


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VI - O QUE É SER POETA


(Marcial Salaverry)

O que é ser poeta...
Ser poeta é poder o amor descrever...
Ser poeta é sobre as belezas da Natureza escrever...
Ser poeta é ver a vida com os olhos da alma,
Ser poeta é saber como o chorar acalma...
Ser poeta é a fantasia da vida sentir...
Ser poeta é a vida saber colorir,
com as cores da fantasia.
Ser poeta, enfim, é ter a sensibilidade,
de saber ver a felicidade,
que vemos no desabrochar de uma flor,
ou quando recebemos um beijo de amor...
ser poeta, é saber ver da vida a beleza,
tendo sempre a certeza
de que é lindo viver em paz...
de que é lindo podermos o amor desfrutar.
Ser poeta, enfim,
é agradecer a Deus cada dia que começa...

 

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VII - VOCÊ É POETA?

 

(Edson Nascimento)

 

Eu poeta?
Apenas brinco com as letrinhas,
elas existem para formar palavras
que formam frases e aliado a isso
eu apenas transformo
em letrinhas palavras e frases
a linguagem do meu coração....

Assim conto um pouco das
emoções vividas, sejam
momentos felizes ou
tristes, mas que ninguém
viverá por mim, e se isso
é ser poeta agradeço
a Deus esse dom que
Ele me deu...



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VIII - POETA SOU?

 

(Tania Lemke)



Nada sei sobre ser poeta,
Nem mesmo sei se poeta sou.
Falo o que meu peito clama
E de minha mente às teclas vou.
Falo e exprimo sentimentos,
Comuns, meros, aparentemente banais,
Porém em todos nós exatamente iguais.
Brinco com a sonoridade
e a emoção que dá-me criar.
Expiro sentimentos ocultos,
Sofro, choro, sorrio, reclamo,
Tudo o que não posso no mundo
Aqui, em brados proclamo.
Nada sei sobre ser poeta.
Mas sei que se poeta sou,
é por amar as artes
E viver nelas o amor!

 

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IX - SER POETA


(Zena Maciel)



Quem é mesmo você poeta?
Um ser iluminado?
Um anjo de prata?
Um Pégasus sem asas?
Desvenda para mim este mistério
De que mundo mágico você veio?
Onde fica seu Shangri-lá?
Ser perdido no tempo
Sem hoje e sem amanhã
Escondido entre a utopia e
a realidade
A razão e a loucura
O concreto e o abstrato
Fusão entre o eu e o
inconsciente
Pássaro livre!
Transformista de sonhos
Menestrel de ilusões
Decorador de fantasias
Guardião de toads as dores
Anfitrião do amor
Ser triste de alma branca
Lunático talvez!
Louco,quem sabe!
Ah!quem dera ser poeta!
Ah! quem dera saber fazer
arte com as rendas do coração!
Ah! quem dera poder fazer das lágrimas
lindos versos cheios de emoções!
Ah! quem dera poder fazer
da vida uma eterna canção!
Ah! quem dera!
Quem dera!!!!!!!!!!!!!

14/03/2000

 

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X - ALMA NOS DEDOS


(Carol Rivers)



Há algum tempo, li interessante
artigo de grande escritor:
" ... nenhum texto é único, ele é a
coletânea, do que ficou no inconsciente,
de tudo que já se leu ..."
Portanto, acredito, que nada que
se escreva seja verdadeiramente
inédito.
Temas, são repetidos várias e
várias vezes.
Frases idênticas serão utilizadas
infinitamente.
Mas ... a emoção contida em cada
texto do poeta...
ah! essa sim é singular!
Isso, ninguém pode, nem deve tomar.
A sensação de ver através das mãos,
seu sonho tomar forma,
pôr a alma a mostra,
o coração ser aberto e visto.
O sentimento estranho de repartir
algo que saiu quase das entranhas!
E quando alguém lhe toma isso,
é como sentir a dor de um filho partir,
e aí ... o poeta, chora, se sente violentado,
ultrajado no que de mais puro tem,
a emoção, o desejo, a inspiração, o amor,
enfim, sua forma de exprimir
tudo que no coração sente!
Então, preservemos o direito que as
pessoas têm de escrever e sonhar!

Santo André - S.P.
12-01-04

 

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XI - POETA


(P@ulo Monti)



Poeta desencontrado
Palavras soltas ao vento
Recolhidas e soltas em ouvidos surdos!
Poeta esquartejado
Sonhos desfeitos na madrugada
Feitos e refeitos em uma musa!
Poeta suave
Dormido de nuvens, brisas e luares
Amado pela sua própria essência!
Poeta sofrido
Assim como tu, amigo
Abandonado, mal-amado, porém saudado
Numa réstia de sol!
Poeta amigo
De sua poesia, sua loucura
Espalhada nas ruas, nos risos
De mãos estendidas!
Poeta, poeta...
Por que não seres comum?
Por que poeta?
Para poetares simplesmente?!
Poeta...

 

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XII - SER POETA É...



(Thereza Mattos)



Ficar sempre divagando
Olhar para o céu escuro
E ver somente as estrelas
Ser feliz, sentir-se puro
Como o ar que perfuma as flores
Ter sempre mais de mil amores
Chorar quando preciso
Sem verfonha e nem pudor
Entregar-se por inteiro
Quanto chegar seu primeiro amor...

Ser poeta é ser sensível
Ouvir os pássaros a cantar
É fazer o impossível
Para uma letra acompanhar
O chilrado hino das aves
Com a bela palavra "amar"
Usando diferentes claves
Que só os pássaros sabem usar...

Ser poeta é cobrir-se com nuvens
Quando viajar pelo espaço
É despir-se de toda a impureza
Amar toda a natureza
Nunca sentir o cansaço
De exaltar de Deus a beleza
É ver no seu próximo, um irmão
Abraça-lo com sinceridade
Em seu ouvido murmurar
Palavras de amor e amizade!....

 

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XIII - SER POETA

 

(Marilena Frade)

 

Ser poeta é desvendar da alma todas as tristezas,

dores e alegrias.

É sonhar acordado!

É estar no amor, na luz ou nas trevas, amordaçado!

Ser poeta é enxergar rimas em todos os momentos da vida!

Quando nasce, vibra, entontece e só nos versos se equilibra!

O poeta é aquele que amortece suas dores e seus anseios;

quando enlouquece, quando ama e vislumbra

todas as cores do arco-íris!

O poeta se encharca de palavras,

de momentos mágicos, de aconchegos e de torturas!

O poeta adormece nas sombras da luz de vela e da Lua,

E se perde nos amores, nos desejos loucos e lúcidos!

Ser poeta é montar e desmontar,

armar e desarmar todas as palavras num verso!

Basta ter na vida um reverso que ele se revela:

Tímido, doce, louco, apaixonante,

apaixonado, amante, amado!

Poeta é aquele que fecha a porta do coração

quando quer recolher as flores da alma que dói!

É também aquele que abre a porta da alma

e lança todas as pétalas fora!

O poeta é aquele que emudece,

que se exalta e entristece!

Que ri, chora e lamenta.

É aquele que os grilhões, arrebenta,

Mas nunca se sente livre das palavras

e harmonias dos seus versos!

O poeta enaltece a sorte, a vida, apaixonadamente.

E morre entre rimas, sorrateiramente!

Ser poeta é esgueirar-se da solidão,

para lavar a alma em harmonia,

Das palavras soltas, presas, sombrias e ternas!

É embebedar-se em cada frase

com vinho suave de brisa!

Para que ela venha quebrada e doce;

verde, certeira, confiante e eternamente prosa!

Ser poeta é enveredar-se por túneis sombrios

que só ele conhece as saídas!

O poeta se encontra na ciranda da vida,

que entrelaça as emoções e quimeras

de uma paixão inteira!

Não quer fugir da dor.

Quer fazer do sonho, pequeno trampolim

para mergulhar na alma que enlaça seus tormentos e paixões.

Ser poeta é ter a alma lavada, eternamente!

 

 

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