
RÉ
CONFESSA
©
Antonieta Elias Manzieri.
Errei
sim, pequei admito.
E espero absolvição,
já que meu único
delito
foi roubar seu coração.
A culpa não foi só
minha
você consentiu, cedeu.
Não venha com ladainha
só porque se arrependeu.
No começo há
tantos mistérios,
muitos deles impenetráveis.
Não agimos com critério
nos segredos insondáveis.
Confesso e não me arrependo
roubaria mil vezes sem nenhum
pudor.
Mesmo sabendo imputar-me a
pena
de um gesto tresloucado por
amor.
Admita; você bem que
desfrutou,
foi cúmplice de um
furto excitante!
peço indulto para o
meu crime de amor.
Mereço perdão,
pois não há
agravante!

REMINISCÊNCIAS
©
Antonieta Elías Manzieri
Hoje acordei com desejo de
você.
Lembrei seu perfume, sua pele
macia,
dos beijos guardados em nossa
alma sufocada!
Senti uma ponta de saudade
a incomodar-me...
Nosso primeiro encontro, um
breve momento;
convidou-me para dançar
e não nos separamos
mais.
Descobri naquele instante
nossa cumplicidade,
quanto amor tinha para dar,
mas era impossível...
Porém a vida bipartiu
nossos destinos,
cada qual seguiu seu rumo.
Nunca mais nos encontramos,
nunca mais é muito
tempo, é demais...
Lembrei melodias que marcaram
nossas vidas.
A chuva fina, os dias de inverno,
quando me aquecia puxando-me
bem perto,
enroscávamos-nos entre
as cobertas.
Relembro os dias de verão,
em praias desertas.
Passeávamos junto na
orla em longas caminhadas,
que saudade das mãos
entrelaçadas...
Lembro da atitude singela
ao estender a mão.
Trazias uma concha nacarada
onde dizia:
- Nunca te esqueças
de que és meu único
amor.
Não dá para
esquecer, não dá!
Hoje acordei assim, com desejo
de você...

SOU
SUA SEM HORA
©
Antonieta Elias Manzieri.
Você, que surge de forma
inesperada...
Invade minha vida, se faz
dono e senhor,
chega sempre quando é
madrugada,
cobre-me de carícias,
me farta de amor.
Não sei se é
loucura, magia ou mistério!
Vem sedento de desejos a me
embriagar.
Só sei que me enlouquece,
me tira do sério,
faz meu desejo em segundos
aflorar.
É responsável
por tantos desatinos.
Ah! Você que nunca tem
hora...
aguardo ansiosa! Ah, meu doce
menino...
quero pecar com você,
não vá embora!
Guardo segredos nunca dantes
desfrutados.
Serão seus sempre,
quando aqui chegar
procure-os em cada toque,
guardados...
Embriague-se até se
saciar.
Meu homem fugidio, sempre
esquivo.
Seu jogo é que me instiga
a querer continuar...
Lanço mão de
todos os meus atrativos
para prendê-lo na armadilha
do verbo amar.

A
BUSCA
©
Antonieta Elias Manzieri
Estou
a caminho do nada
seguindo na estrada deserta.
Na bagagem... As lembranças,
de lembranças quase
nada...
A
cada curva que surge
penso ser a derradeira,
sigo rápido, o tempo
urge!
Desço a ultima ladeira...
Mas;
Porque a pressa em chegar...
Lá, não sei
o que me espera!
Não sei se o que tento
alcançar,
é um sonho real, ou
quimera.
Continuo
a caminho do nada,
nesta longa estrada sem fim...
Quem sabe é a última
morada,
que está esperando
por mim...
Como
saber sem ir adiante
nesta corrida desenfreada.
Encontrarei o que busco?
Ou estou em busca do nada...

EM
BUSCA DE UM SONHO
©
Antonieta Elias Manzieri
Vivo em busca daquele que
seja
minha alma gêmea, meu
amigo.
Que queira dividir comigo
sua vida, sua fonte que roreja.
Que busque os mesmos ideais
sem usar de subterfúgio.
Que meu corpo seja seu refugio,
sem tolices ou conversas banais...
Que se encante com o pôr-do-sol,
e a beleza de uma flor.
Não tenha vergonha
de chorar
ou de falar palavras de amor...
Que me tome docemente pela
mão
e olhe nos meus olhos com
carinho.
E que acima de tudo seja cúmplice;
das loucuras de amor, das
volúpias
que juntos faremos em nosso
ninho...
Que ao olhar através
da minha retina
possa enxergar minha alma
também!
Entender que há muito
busco esse alguém,
e saiba compreender esse meu
lado de “menina”
Ele existe, sei que existe!
Que é diferente dos
demais...
Somos duas metades tão
iguais,
por isso vivo em busca desse
sonho.
ÊXTASE
©
Antonieta Elias Manzieri.
Eu te olho e me perco nesse
olhar,
tento inutilmente fugir, mas
estou presa.
Submissa, apaixonada, indefesa...
Deixo-me levar pois assim
quero ficar,
mesmo sabendo que é
um amor só de incerteza.
Tuas mãos ardentes
tocam-me em sonhos,
provocando meus sentidos e
desejos.
Chegas sorrateiro e me cobre
de beijos,
Desperto-me em ânsia
louca e suponho
que virás satisfazer
os meus anseios.
Percorro os olhos em minha
alcova,
sinto teu calor em meus lençóis,
então penso que não
foi sonho: “ele veio!”
Percebo em mim o gosto de
tua boca,
o toque de teus beijos em
meus seios.
Desponta
a aurora, está quase
amanhecendo...
Reviro-me inquieta tentando
adormecer
na esperança que retornes
a meu leito,
para apertar-te de encontro
a meu peito e dizer:
--Fiques... Não me
faças enlouquecer...
Até quando irá
essa busca, até quando?
Vais fingir que não
me ouves, não entendes?
Percebo em teu olhar esse
amor latente
que vais dissimulando, tentando
esconder.
Desejo
que não passa, não
tem cura!
Só acalma se te beijo,
te enlaço,
sintas meu pulsar, aninha-te
em meus braços...
Vivas comigo esta paixão,
esta loucura.
Mescles tua vida na minha,
num mesmo compasso.
LÚBRICO
DESEJO
©
Antonieta Elias Manzieri
O esmagar de folhas mortas
denunciam;
são teus passos vindos
em minha direção.
Meus braços se abrem
para acolher-te,
e num doce abraço extravaso
a emoção.
Descontrolam-se meus sentidos,
queimo em brasas de tanta
ansiedade.
Em arroubos cubro-te de beijos,
para fartar-me desse amor
tempestivo!
Lúbrico desejo a consumirnos,
que não passa, não
ameniza...
Esquecemos de tudo, nada mais
importa,
a não ser viver o amor
em todos os sentidos.
Não, não vá
embora, te necessito...
Ainda há muito para
desfrutarmos!
Se partires, temo que não
voltes,
e aqui ficando, te prenderei
comigo...
OMISSÃO
©
Antonieta Elias Manzieri.
Ah, esse desejo de amar-te!
Envolver-te em minhas loucuras.
Mostra-te, não escondas
tua face.
Tenho desejos, venhas satisfazê-los.
Não fiques surdo ante
meus apelos.
Há anseios reprimidos
em meu peito,
sentimentos não adormecidos.
Não imaginas o quanto
te quero...
Nem tampouco as alegrias que
me dás.
O quanto teu sorriso ilumina
meus dias,
e quão tristes eles
são quando não
estás.
Oculto de ti para que não
te ufanes...
Não percebas que sem
ti já não vivo?
Melhor que penses que o amor
corre perigo,
e atento fiques com receios
que eu te engane.
É tão grande
o amor que a ti devoto,
que de tantas renúncias
quase me perdi.
Por isso insisto, mostre tua
face!
Não te omitas... Venha,
estou aqui.
PROCURO...
©
Antonieta E. Manzieri
Se
você está só
como eu e vive a procura,
de alguém que preencha
sua vida de ternura,
venha...
Sem receio, sem pudor, se
entregue ao amor...
Juntos poderemos encontrar,
e por que não?
Os sonhos que há muito
se dispersaram...
Quando
chegar não bata na
porta,
meu coração
está destrancado,
joguei a chave fora.
Ele
é um amante inveterado
e solitário,
a espera daquele que um dia
irá chegar.
Entrar, apoderar-se, ser dono
e meu senhor...
Procuro
ávida, impaciente.
Alguém que não
me faça perguntas
e não venha em busca
de mil respostas.
Que saiba doar-se e simplesmente,
amar-me
com paixão, sofreguidão,
ardentemente!
Ah!
Se for você esse alguém,
saiba que irá desfrutar,
de uma vida de quimeras
que estão a sua espera,
nesta fonte inesgotável
para sua sede saciar.
Ao
abraçá-lo saberei
que terminou minha longa espera
e que nossos dias serão
só de venturas!
Procuro
numa busca incansável
porque sei
que em breve encontrarei a
metade que me falta.
Meu elo perdido, meu cúmplice
no amor,
que vive bipartido, procurando
sua outra metade.
Venha,
você já encontrou,
sua outra metade sou eu.
Assine
meu livro de visitas e ficarei
muito feliz!
Obrigada!
Yara Maria
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